gatos aquecem

jeudi, février 05, 2009

How to cry a river over vietnamese coffee

As vísceras retiradas com uma grande colher de sorvete. Assim aconteceu. O segundo pacote não era café, era chá. O café perfumado de baunilha acabou. Sabe-se lá se ontem, anteontem, a que horas. Te esforça agora pra lembrar da última xícara. Será que deixei queimar?
Acabou, não tem mais, do mesmo jeito que acaba o dinheiro no banco se tu vai fazendo saques pequenos e desviando o olhar do saldo final. Não pode reagir assim. Mas. Mas. Era o café do Vietnã. Que compramos no mercado sem saber se ia ficar igual ao que tomávamos sentados olhando pra janela e ficou, não igual mas suficientemente delicioso.
Eu sei que é café - manda importar, idiota. Mas não é. Virou um tesourinho de viagem. Que eu sonhava provar no pequeno apartamento. Que ainda está a caminho. Era um pacote especial que se perdeu na despensa desta casa grande como eu sabia que ia se perder, confundido entre pacotes repetidos abertos e deixados pela metade. As coisas que a gente faz sabendo.
É a primeira coisa da volta ao mundo que acaba e não vai ter mais. Eu não queria necessariamente o veludo preto que tomei e me encheu de alegria. Aquilo ficou lá. Mas perder minhas jóias de viagem é um processo que só pode terminar na... eu... devo... dizer... mesmo-que-não-queira-pensar-nisso-agora... necessidade de buscar novas. Entende? Entende a tristeza?
Foi só uma coisa. Calma. Não precisa chorar assim. Sabe-se lá quanto tempo leva pra morrer o segundo condenado. Eu não gosto quando acontece isso, de se dar conta que começou: tu pode torcer pra não ir praquela zona cheia de nós e ter fé no volante que construiu, mas não, não pode pedir pra parar, filha.

jeudi, novembre 27, 2008

Truques


para fingir que o que eu cozinho não é extremamente insoso.

mercredi, novembre 26, 2008

Com emoção ou sem emoção?

Eis algo inquietante de se ler quando se tem passagem comprada para Bangkok: o aeroporto está fechado por tempo indeterminado porque o povo quer o premiê fora e ele não quer sair. A tensão sobe. O povo não voltou pra casa depos da visita ao parlamento e foi bater na porta dos ministros, cujos escritórios ficam no tal aeroporto. Diz o correspondente do Libération diz que a coisa parece ruim e não se descarta um golpe de estado, mas - e esta é a parte emocionante - dificilmente algo de muito radical aconteceria antes do aniversário do rei, que cai no dia CINCO DE DEZEMBRO, uma mísera semaninha antes de eu chegar. Existe um ex-premier corrupto no história, que quer voltar e precisa de uma ajuda consititucional. O povo quer os dois fora. Eu prometo ajudar a empurrar, mas tem que me deixar entrar primeiro, povo.

dimanche, novembre 23, 2008

Recessão, aham

Ser sudaca, não trabalhar com computação e estar totalmente fora do sistema salarial japonês - que garante bônus semestrais de 1 milhão de ienes ou arredores - me faz pensar duas vezes antes de ir numa exposição que custa R$ 41 .
Me toma um certo tempo para microcontas, almoços versus esmaltes, até concluir que vale a pena sim, levar mais esse perfuração estomacal para ver os quadros do Vermeer.
E lá vinha eu no meu país em vias de desenvolvimento, saindo do trem e conferindo quanto o cartão descontou ao passar pela catraca, dando passo-passinho pelo parque de Ueno, pra cair numa cena destas.














Trocentas pessoas alegremente alinhadas a 100 metros da entrada, esperando a vez para

entrar na fila de verdade, com trocentas pessoas mais.

Eu não sei se é o tanto que este povo é rico ou o tanto que as filas são constantes e quilométricas, mas quem tava lá ouviu "vai se fuder!" três vezes e convicto.

vendredi, août 22, 2008

But that could happen in any other city

Bell: Oh, yes. But I find that things and people are altogether kinder here than elsewhere.
(Lindo e amado Michel) Gondry: That's true. In New York, everyone walks like this (gets up to demonstrate), you know with their shoulders high and with big strides, like they're . . . "
Bell: Swaggering (dicionário instantâneo: caminhar ou andar com ar arrogante)
Gondry: Yes. Very few people swagger here. They're driven by ambition, but they don't have to broadcast that all the time.
Bell: But people have to work incredibly long hours and can't take much time off.
Gondry: Still, they seem more with the world, they don't feel the need to be loud and self-assertive. Personally, I like people who are reluctant to sell themselves.
Bell: Yes, because then they have to be themselves, they're not putting something on.

Preste atenção nos teus ídolos. Eles sempre acabam explicando melhor o que você pensa, de uma maneira mais sutil.

jeudi, août 21, 2008

Húngara, ex-bigode e quem me deu esse umbigo feio

As coisas que se atropelam no cotidiano na frente dos posts deste blog são, em grande parte, imprevisíveis. Como agora sei por antecipação, aviso: este site está fechado mais ou menos até outubro. Motivo: temporada de visitas. See U.

Sarabá


Celebrando o final do verão, apresento a propaganda de bronzeador que nos acompanhou durante esses longos dois meses.

mercredi, août 13, 2008

Curtas

1, 2, 28
A coreana tem só um ano a mais do que eu, mas uma pressa bem maior para casar. Também, pudera, já saiu correndo atrás da máquina. Nasceu, tchum: ganhou um ano. Virou o calendário, pá: ganhou outro ano. Agora tá aí, atrasada que só. Imaginei a cena e não gostei: enquanto eu tava com os meus 20 dias de vida, na Coréia já achavam que eu tinha dois anos. Saravá!

Jornal de "Esportes"
Existe mesmo um diário que é esporte na capa e pura mulher pelada dentro. Ideal para ler no trem, quando tem espaço à frente. O cara vai virando as pagininhas, fingindo que está acompanhando o beisebol e nada, tá vendo um monte de peitinho em papel jornal.

Temporada de calafrios
Esta é a terra das temporadas. De que maneira a vida cíclica influencia na felicidade geral dos povos não vem ao caso no momento. O fato é que no auge deste verão esclerosante, começou uma época bizarra. É tempo de contar histórias de terror. Fantasmas, suicidas que voltam, monstros. A explicação que me deram é que o calafrio refresca. (Sim, pode ser arriação).

Toy Story
Tem um caubói no meu bairro. Ele passeia pela rua coberta como se estivesse entrando no salloon, o chapéu naquela inclinação perfeita. A capa, que não sei se era couro ou lona, ele tirou nas últimas semanas. Tão ferrenha é a sua persona que, adivinhem, ele anda com os pés pra fora.

Minibar
Lugar apinhado de gente não é garantia de nada, ao contrário da regra brasileira. Aqui, alguns bares vão muito-bem-obrigado com, digamos, três clientes. Chega lá, pede uma cerveja, conversa com o dono, puxa papo com o vizinho e tá feita a sessão boteco. Tá certo que é um tipo especial de bar: depois do balcão tem mais ou menos um metro de fundo e, pros lados, se esticar o braço já tá no banheiro.

mardi, juillet 22, 2008

kiru biru

Havia planejado entrar enfurecida com a minha faca de maculelê para matar uma japa mandona - entre outras 35 pessoas -, mas faltou a cabeleira loira que iam me emprestar. Acabei sentando e pedindo um prato.

jeudi, juillet 17, 2008

Se o David Lynch viesse descrever o meu almoço

Começaria do jeito que começou, comigo dizendo que hoje é dia de comer enguia pra amenizar o calor. O lugar já está definido por antecipação, e de lá só se sabe que é sujo, pequeno e perto.
Fechamos o teclado, batemos o cartão. Duas colegas desertam no corredor, outra é abatida na porta do restaurante. Nesse lugar eu não entro. Diz ela, não eu. Eu entro.
E dou de cara com sete potes de inseticida apoiados na escada estreita à direita. Por ali não se sobe e aqui fede. Mas fede a enguia, então ok. No cardápio, só uma opção, inútil repetir o nome. Os mata-insetos já são passado porque a feiúra dos proprietários grita mais alto. Só podem ser irmãos - pelo feio, não tanto pelo parecidos. Três do mesmo, por favor.
Esperamos e, enquanto isso, recebemos o chá de praxe, mas não o de sempre. Um mais amargo, servido por dedos sem unhas - com pedaços de madeira podre no lugar delas.
O homem que bebia a última cerveja do estoque vai embora. Logo a porta abre e uma jovem gorda, alta e de um loiro quase cinza entra pisando separado no minúsculo serve-pratos. Fala com o dono coisas que eu não entendo e vira pra nós. Hoje é dia de gringo, penso. Teremos mais uma à mesa. Mas ela não quer comer, ela quer vender. Matrioshkas e canetas do pinóquio. Vai se apresentando num japonês pausado, com um sorriso constante de dentes pequenos, combinando com os olhinhos. Passamos por todos os itens da caixa de papelão, mas não queremos nada disso, sua ucraniana sem critério. E obviamente não acreditamos que o teu pai talhou todas as bonecas.
Chegam três caixas da cozinha, a quase russa já saiu pela porta e as nossas enguias aparecem debaixo das tampas. Não é problema ouvir como elas são alimentadas, mas talvez seja ouvir isso enquanto se come um ovo de codorna quente.
Elas vão se infiltrando dentro da pasta de comida que jogam no aquário, a propósito.
O tempo acabou. Os dedos com pedaços de madeira estão no caixa puxando nossas notas. A nova cliente de peruca ri pra mim e me aponta pro marido. É um riso de simpatia, acho que ninguém vai realmente debochar da minha cara aqui.
Close no suor que brilha na peruca dela, sobe a trilha sonora e entra o resto da tarde quente, com um mochi desembalado no elevador.

mardi, juin 17, 2008

bom moço que só


"I am very sorry that I caused a great deal of trouble to the Iranian government, the Japanese government and all others".
Satoshi Nakamura, a 23-year-old student.
E isso é o que o guri lembra de fazer logo depois de passar oito meses seqüestrado por fundamentalistas.

lundi, mai 05, 2008

Por favor não fure o olho.





















Ou R$ 133,00 por um melão.

Opções do menu

"Algumas baleias estão em extinção. Outras espécies estão inclusive se reproduzindo demais. Há de se controlar essa população."

lundi, avril 28, 2008

Curtinhas

*Aprendi uma letra na aula de japonês que é um quadrado perfeito. Quatro linhas pra dizer "ro". Muito fácil, parecia. A alegria terminou quando a professora corrigiu a ordem em que eu faço os riscos.

*O shopping perto de casa vende sombrinhas de verão assinadas pela Vivienne Westwood. Maldita maldição. São lindas.

*"O meu bento vai sofrer ijime hoje". Pra meu próprio espanto, eu proferi essa frase. Tirando o dekasseguês, quer dizer "A minha marmita vai ser discriminada". É, eu cozinho mas não faço bonito.

*Depois de meia hora falando entusiasmado sobre as escavações arqueológicas que fez no centro de Nara, o japonês interlocutor esclarece: hoje trabalha no departamento de vendas da Mitsubishi. Com essa, andei duas casas no caminho para entender o conceito de salary men.

*O mundo é um cú quando o teu colega peruano conta uma história que inclui uma guria da ala radical do PSTU do curso de História da UFRGS/1998.

*O Japão tem o melhor manejo de ovos do mundo. Acreditem, há muito mais coisas para se fazer com gemas e claras do que sonha a nossa vã ocidentalidade. Pudim de ovo ao vapor com cogumelos, rodela de espuma de clara com atum dentro, omelete em cubos, hmm, hmm.

*Ser analfabeta é: reponder à pergunta sobre aborto no exame médico com "Sim, claro, periodicamente". E ainda completar dizendo que fez o último foi em 2007 e que, por isso, não precisa de outro por enquanto.