lundi, novembre 28, 2005

Você traz a comida, mas a panela é dela

Muito interessante os números secundários daquela pesquisa da OMC sobre violência doméstica.
No Brasil, o número das que apanham coincide com o número das que acham que os homens tem um motivo. E esse motivo é infidelidade. Uma a cada três apanham, uma a cada três dizem que um corno é motivo pra espancar.

Da Folha:
"Aproximadamente duas de cada três brasileiras entrevistadas dizem que não há justificativa para um homem agredir a parceira. Entre as que admitem motivos para a violência conjugal, a desculpa mais citada é a infidelidade."

Tem um pouco de lógica de guerra nisso. Um gênero escollhe se admitir em infração ao invés de se liberar, e com isso guarda um pouco de poder:

"Mais de 75% das mulheres pesquisadas no Brasil também afirmam que uma esposa tem o direito de se recusar a fazer sexo com o marido quando não está com vontade, quando está doente, quando ele está bêbado e quando ele a maltrata."

vendredi, novembre 25, 2005

Conselhos internos e individuais que prescrevem sem data indicada

Para que escrever se temos Clarice?
Hoje pela manhã acho que cheguei num ponto de maturidade e entendi que a Clarice é que deve ser delegada essa função.
Cada qual com as suas teclas de teclado, cada qual construindo o texto que veio aqui viver e dizer, mas só Clarice escrevendo.
Porque ela fala.
A gente, por mais que tente imitá-la, a gente só confessa. A gente não ganha nem estatuto de "nós".
É engraçado porque ainda que tão viva, penso nela sentada dentro de um apartamento, não mais do que isso.
E lembrei que vim pra cá sem nenhum livro dela.
Na verdade sempre tive medo deles, eles são como uma planta carnívora.

E chega de escrever sobre a escrita de Clarice, porque mais de sete linhas já é punheta.
Há de se crescer fora dela. Esse é o pensamento do dia.

jeudi, novembre 24, 2005

Vie de stagiaire

e não é que hoje os estagiários de Paris fizeram uma greve? Simbólica, mas fizeram. Pra reclamar de um verdadeiro "absurdo": as empresas aqui pegam estagiários pra fazer o trabalho de profissionais e assim reduzir os seus custos!!!!~
Coisa séria.

Não sei se aqui os estágios são não-remunerados, pelo que entendi falta uma regulamentação legal. O que não evita que toda a vez que vejo os franceses se levantando pelos seus direitos (com exceção dos queimadores de carros) me venha sempre a mesma palavra na cabeça: naïf.

mercredi, novembre 23, 2005

Jebs,


esse é o cabelo novo.
o outro dia a lisi disse que lembrou de mim quando uma velha entrou no ônibus, porque ela tinha "cabelo cor de nada".
Heheh, eu também já interiorizei essa imagem estranha.

just amenities (pq não inventar palavras?)

Complicado é ter só quatro calças no armário e manchar uma delas. Toda de rosa.
Por causa de uma blusa extrovertida que não avisou que estava debutando no sabonete.

E perder uma touca de lã na rua só pq se teve a idéia de pôr ela no bolso? Tampouco é legal, principalmente se restam apenas duas.

Ao mesmo tempo, o que é mais "Letícia" do que isso? Estava sentindo a minha falta nesta viagem, ainda bem que eu resolvi aparecer.
As calcinha pintadas de rosa, então, ficaram jóinha.

dimanche, novembre 20, 2005

save your money for the children

gastei o dinheiro que não tinha, mas valeu cada euro.

jeudi, novembre 17, 2005

Medo

Dois terços dos franceses apóiam o ministro do interior Nicolas Sarkozy.
Pesquisa feita por algum instituto de sondagem existente aqui, ouvi na rádio, de manhã.

mardi, novembre 15, 2005

VOCE, AMIGA, MULHER

sem saber o que fazer com essas malditas promoções de inverno?
as luvas que antes custavam 30 reais agora custam cinco mas não se encaixam no seu armàrio jà cheio de regatinhas? Nos temos a solução!
Compre tudo pra Lelé! A irmã dela està indo visità-la em janeiro e assim ela poderà usar todos esses articulos que ficariam mofando no seu armàrio até o proximo inverno porto-alegrense (que provavelmente serà uma fraude como os dois ultimos).
Ela fica quentinha e voce com aquela otima sensação de fazer compras a preços ridiculos!!

lundi, novembre 14, 2005

hoje deu

saudade das mingas.

dimanche, novembre 13, 2005

Sociologia internacional do spam

Recebi meu primeiro spam em francês e ele não fala de Viagra, nem de dívidas nem de trabalho em casa.
Quem escreve é um corrupto com alto cargo no governo da Namíbia, me oferecendo 10 milhões de dólares para eu guardar aqui na França a sua poupança de 52 milhões. Querelas políticas o impedem de deixar o dinheiro lá, já que o seu salário não passa de US$ 1 mil. Muito articulado, o senhor. Hihih

Bonjour
Je suis Hon Helmut Angula de la République du Namibie, etministre chargé de l’agriculture du gouvernement dirigé par leHifikepunye Pohamba. Je trouvé votre adresse en faisant des recherchesdans le répertoire commerciale que nous avons au niveau de la chambrede commerce de mon pays.Je voudrais me joindre vous dans unpartenariat, afin investir une somme de Cinquante deux millions dedollars obtenu en accumulant des dons de la part des Entrepreneursétrangers qui je octroi des contrats dans mon département. Je voudraisinvestir cette argent dans votre soit si toute fois mon offre vousintéresse.Etant membre du gouvernement actuel,je ne peux utilisé lesystème bancaire de mon pays, car tant défectueux. Et de plus cela m’attirerait de graves ennuis. Car mon salaire ne dépasse pas Milledollars.La situation ci-dessus a incité ma décision solliciter votrecoopération pour prendre en charge ces fonds sous votre garde, pouraprès l investissement. Pour votre aide et vos efforts, vous serrezlargement compensé car je vous réserverais une part gale Dix millionsde dollars.En premier lieu, je vous fait toutes mes excuses pouravoir pas par ce moyen pour vous contacter pour une affaire de cetteenvergure. Mais c’est cause de la confidentialité de ce moyen et aussiau manque de moyens de communications fiables dans mon département.Jecompte sur vous en tant que personne respecte et honte pour prendre encharge cette transaction avec sincérité, confiance et confidentialité.J'ai ci de chercher une coopération confidentielle avec vous dansl'exécution de l'affaire décrite ici en dépit du fait que nous ne noussommes jamais rencontrer je prier que vous garderez ceci comme secretmajeur en raison de la nature de cette transaction .Je m’arrangeraipour que vous entrez en possession des fonds tout en vous assurant unprocessus sans heurt. Je voudrais que vous me contactiez des laréception de ce courrier ou que vous , tout en m’indiquant vospossibilités et votre bonne volonté pour me permettre de vous donnerplus de détails.Cette affaire exige de votre part une attentionparticulière et uneconfidentialité absolue. Attends votre réponse cecourrier quelque soit votre décision.Je vous prie de croire en l’__ex-pression de ma plus grande considération.Salutations distinguee.
HonHelmut Angula

samedi, novembre 12, 2005

2 masculinos

o mundo
o moço

nem tão longe

Essa é pros amigos que quiserem mandar um alô palpável - confesso que viria muito bem. Presentes, cds e euros também são bem-vindos, claro. Meu endereço:
35, Avenue du Docteur Arnold Netter - 75012 Paris - France

Pra me achar no mapa, só por curiosidade, também é muito simples. Tem que fingir que o Sena é um lábio infeliz :( cortando a cidade ao meio. Aí a minha casa seria algo tipo uma pinta de Marilyn, à direita. Ótimo, né?
Sem o barato da metáfora: metrô Picpus, linha 6, sudeste.

Bonjour, je voudrais savoir si (xxxx)? Oui, non et pourquoi

Você precisa de um celular pra conseguir emprego, de uma conta no banco pra conseguir o celular, de uma carta de estadia para conseguir a conta no banco, de uma comprovação de domicílio pra conseguir aquela e, antes de tudo, de um domicílio.
Inverta um pouco esta ordem e você terá dois dias de pura loucura pelas ruas de Paris conseguindo nada mais do que informação, como foi o meu caso.

O fim dos tempos OU Deixa os franceses fazer o que quiserem

Passei, congelei e voltei. Ia me dirigindo pra fila da bilheteria da Fnac, onde pretendia comprar o ingresso pro show do Supergrass, quando perdi o chão por um instante. O setor “música do mundo” estava mesmo, indiscutivelmente, tocando Tati Quebra Barraco.

mercredi, novembre 09, 2005

Poittevin




Já fiz a macaquisse de incluir o meu nome francês no textinho para a Zero, escrito incialmente para o jornal de terça, e não de hoje. Na íntegra, ele era assim:

Tão longe, tão perto
Letícia González Poittevin
Paris

Pequena a ponto de poder ser atravessada a pé em apenas quatro horas, a Paris intramuros permanece tranqüila com o que ocorre ao seu redor, mesmo depois de 4.700 carros incendiados e da notícia de uma primeira morte possivelmente relacionada à revolta do subúrbio.
No metrô e nas calçadas, as discussões acaloradas sobre a violência que recrudesce nas banlieues, como são chamados os bairros periféricos, mostram que o pânico está longe de ser instaurado.
- Não acho que tenhamos grandes problemas no centro da cidade porque essas pessoas não se arriscam a atacar bairros que não conhecem – afirma o dono de uma banca de jornais da Boulervard Saint-Michel, na rive gauche do rio Sena. Morador de um bairro ao norte de Paris por 17 anos, ele se mostra simpático ao ministro do interior Nicolas Sarkozy, que tem causado polêmica usando termos como “faxina” quando se refere às medidas tomadas para controlar a crise.
Os clientes do jornaleiro, entretanto, reagem à simples menção da crise, não se importando em trocar farpas por 15 minutos com pessoas que nunca conheceram.
- Não podemos exagerar nem permitir que o ministro use esse tipo de termo – defende uma estudante de relações internacionais, ali para comprar uma revista Elle.
- É a guerra civil. Assim como Luis XVI, o governo não conhece a situação do seu país. Agora, é tarde demais – profetiza um funcionário de um cinema, que se diz um pacifista.
Entre os motivos, o cenário de uma urbanização excludente e da falta de emprego, criado em trinta anos de levas migratórias vindas de ex-colônias francesas, parece não justificar a rebeldia desses jovens sem perspectiva. Nos corredores da Sorbonne, muitos universitários classificam as ações do subúrbio como “violência gratuita”.
O jornal Le Monde, que nesta segunda-feira inaugurava o seu novo projeto gráfico, tinha ontem mais um bom motivo para lotar as ruas de vendedores ambulantes. No seu interior, uma reportagem acompanhava uma noite junto a um grupo de “incendiários”, dando voz aos protagonistas das barricadas. “É como um cão contra um muro, ele se torna agressivo. Não somos cães, mas reagimos como animais”, diz um dos sete jovens que depõe na reportagem, todos com nomes muçulmanos. Além da raiva por não receberem do governo estruturas de lazer enquanto a polícia tem reforços constantes de equipamentos, eles reclamam da falta de perspectivas. “O que quer eu faça? De cem currículos que enviei, consegui três entrevistas” diz um deles.
Acusadas de insulflar esses movimentos com uma cobertura ofensiva, a mídia e a imprensa parecem garantir que o assunto não saia da boca dos parisienses. E no ainda distante subúrbio, os carros incendiados, todos cobertos por seguro obrigatório, seguem sendo o grito de expressão.

Violà


esta é a mansão que eu consegui em tempo recorde, por preço razoável, pra dividir com uma mineira simpática.
Tudo isso é só pra mim, cabe um "tanto de visita" (homenagem à língua mineira). Daquela janela ali dá pra ouvir o piano da escola de dança que tem lá embaixo. Por enquanto, ele ainda é poético.

E aí os detalhes entram na história

Pão, mesmo que comprido e do mesmo formato, não é baguete. Estão aí pra mostrar as duas prateleiras do super que os dividem, com preços diferentes. Pegando na mão, a gente vê que a baguete é mais dura, dá pra ficar mais velha que o pão.
Pois é, o seminário do meu professor chama algo tipo "A erótica da sociedade" e fala de falos espalhados pela cidade, então podem se divertir com esse post bagaceiro que eu acabei de escrever sem querer.

Não esqueça a escova de dentes*

Eu poderia ter esperado ele ou ela pra fazer algo do tipo, já que são os que mais planos fizeram comigo. E, além de mais sentido, teria feito toda a diferença.


Mas o negócio é que eu não sou macumbeira. Que outras chances eu tenho de acreditar em destino se não jogar tudo pro alto e ver como as coisas caem depois?




*Era o nome de um programa bonachão da televisão espanhola que os meus tios gostavam, onde a pessoa ganhava uma viagem de cruzeiro e saía direto do show, pra ficar um tempão viajando.

Bik bik bik

Mesmo que fora dessa minha janela temporal (entenda-se antes e depois) tudo faça sentido, não há nada mais agridoce do que ter nas pessoas que estão longe todo o meu referencial e senti-las, ao mesmo tempo, mortas e desaparecidas.
Liguei muito pra casa nos primeiros dias, mas não tirei a sensação de ter sido arrancada. Se o Skype não prometesse o que não pode cumprir, eu já teria comprado cartão internacional, conferido que todos vivem e passado adiante.

mardi, novembre 08, 2005

Paris pra quem quer


Eram 7 horas da noite no Brasil, como é agorinha, há duas semanas atrás. E tinha sido o dia em que eu fui embora. Eu ainda tinha umas 24 horas de avião e aeroporto, mas em casa todo mundo devia se olhar com aquele suspiro estranho da despedida que acontece ainda, que espera ligação de orelhão, que vela pelo vôo da noite toda. Isso eu imagino. Lá dentro, eu estava como indo para o abate. Vi filmes atrás dos outros, dormi querendo não acordar e, 14 dias depois, acordar ainda é um problema.


Sempre fujo do mau-humor, principalmente quando ele não tem razão de ser, porque a minha cara carrancuda é uma das coisas mais feias que eu já vi. E ela demora pra passar, mesmo quando já foi convencida. Bem, no avião ela apareceu. Do Brasil, “hoje tua cara ta mais aliviada” é o quão visível eu posso ficar.