lundi, juin 05, 2006

Miséria pouca / ou / Porque devo largar com urgência trabalhos envolvendo crianças

- On va enlever ton pantalon pour faire la sieste parce qu’il fait très chaud ici.
- …
15 minutes après.
- Tu dors pas ? Je t’enlève ton T-shirt, c’est vrai que c’est encore plus chaud maintenant.
- …
- …
- J’ai chaud au zizi et aux fèsses…
- Garde ta culotte !!!

dimanche, juin 04, 2006

um concurso público, por favor

Eu nutro uma vontade de ser free-lancer.
Mas este não é um post do estilo "estou atrás de emprego, se souber de algo, me avise".
É só pra dizer que, se eu continuar com essa idéia, nossa, que monte de coisas terei de aprender pra não repetir a estranha agenda de amanhã: duas aulas de português desmarcadas porque topei cuidar de uma criança de três anos durante mais ou menos 14 horas, pelo preço de... [vergonha da ignorância, vergonha da ignorância, vergonha da ignorância] duas aulas de português.

4 de junho, seu eiffel!!


dã. hehe. exagerei.
mas por que o verão não CHEGA???


p.d. Nuni, como eu faço pra colocar todas as minhas músicas num cd regravável? Meu pai me xingou porque eu não faço back-up, mas tem coisa que desperdicia mais cd do que back-up? E estes têm sido meses tão prolíficos de E-mule...

nuni? R U there? someone?

socialpoesia

"Mesmo o indivíduo solitário tem direito ao menos à companhia dos seus métodos de trabalho".

Estudando pra prova, cujo assunto eu diria que é teoria da sociologia, passei por essa frase afaga-coração.

BERGER P. et LUCKMANN T. La construction sociale de la réalité, Paris, A. Colin: 1997.

samedi, juin 03, 2006

Depois da euforia da primavera, uma síndrome de abstinência

Sabe aqueles veranicos asquerosos que chegam no inverno porto-alegrense sem avisar, quando as roupas frescas já estão em sacolas, ninguém está depilado nem combina a camiseta de baixo com o blusão porque pensa que não vai ter que tirar?
Pois eles vem daqui. São massas de calor que o Sul rouba do Norte. Por favor, devolvam.

Era pra fazer calor na minha cidade, c-a-l-o-r.
Mas fez 5 graus nesta semana. Não dá pra viver assim. Devolvam.
Por favor.

jeudi, juin 01, 2006

quinta-feira de tardezinha nublado


E aí que eu me propus a vender ração de cachorro. Não qualquer ração, bem entendido. A melhor do mercado em todos os aspectos e sob todos os ângulos, tão boa que cura doença e só tem ingrediente que humanos podem comer. Humanos que não tenham prestado serviço para o filme Ilha das Flores, bem entendido.
Estou com o cérebro recheado de argumentos e sei até porque os gatos lambem o próprio pêlo. A lavagem – do cérebro, não do gato – foi bem elaborada, mas não a jato. Um dia inteiro.
Foi um dia médio.
Conheci gente de realidades particulares, perdi tempo, comi de graça, tava ruim e frio, fiquei com a bunda quadrada, garanti um emprego, mofei no metrô.
Ouvi, pela primeira vez, por exemplo, alguém me dirigir a frase “eu não posso comer carne porque a minha religião não permite”. Foi a menina que ficou minha “amiga” na chegada, quando estávamos atrasadas e perdidas. Uma “eu e tu” com tic-tac no cabelo, muito rímel e emprego em loja de esportes, que só come carne halal, a que respeita o corte muçulmano. Interessante.
Depois vi que tem gente que faz esse tipo de demonstração de produtos há 7 anos, um tempo interminável dado o coeficiente massante da função, e que outros que fazem isso têm mais de 40 anos, ou 50.
E que não era só eu que precisava de um papel pra pegar autorização de estrangeiro. Uma menina do Senegal e outra de Madagascar também. Dois lugares que eu tive que procurar bem rápido no cérebro e só achei a localização aproximada. E eu acho que a cicatriz no pulso da menina senegalesa era tribal, mesmo se ela estava embaixo de uma corrente dourada e um cabelo de cachos artificiais. Ela era de um preto bonito, bem mais bonito que o martinicano que pegou o mesmo trem que nós pra voltar.
Chegando em casa, com dor nas pernas e a cabeça meio inchada, me pus a lavar louça, que não teve aquele brilho ritual que a gente se inventa pra deixar a vida bonita.
E aí que me veio a frase que vai fazer a minha caveira quando eu for muito famosa e polêmica - uma Paula Francis - e alguém achar o link perdido deste blog. Ei-la: às vezes, a mágica não bate, o colorido não faz efeito, mesmo pessoas interessantes não salvam o dia. O fato é que ser classe média é chato. Às vezes.

poltrona torta

Cinema. Cena de uma prisioneira deitada na sua cela, olhando pro alto e respirando fundo no seu macacão laranja.
Primeira reação: inveja. Impressão de que ela tem sorte de estar assim tão atirada.
Conclusão: preciso dormir mais à noite.

mercredi, mai 24, 2006

Seguindo pistas

1) A primeira maquina de café tinha 16 opçoes ao invés das 8 habituais, entre as quais escolhi um capuccino com chocolate por 50 centavos, metade do euro de sempre.

2) O marido da minha prima hesitou em me deixar ir comprar a massa para o almoço e finalmente prefeiriu sair cinco minutos antes pra poder fazer ele mesmo a tarefa.

3) Detalhe que, quando ele sair pra ir buscar as crianças, uma panela de agua quente ficara no fogo, entrando em ebuliçao no exato momento em que a chave virar de volta na fechadura.

4) Ontem a noite, preparar algo facil de janta consistiu em cortar um melao e colocar fatias de presunto cru em cima.

5) Desde que cheguei, o flexibilizador de lingua espanhola da minha cabeça me permite entender e ate falar 2 ou 3 coisas com os locais.

Si, penso che sonno in Italia.

samedi, mai 20, 2006

Um almodóvar, uma música

Volta e meia em reuniões regadas a primos, bebidas e carne os "adultos" da minha família cantam isto. O refrão sempre me foi muito forte, e não só por causa da cara de tragédia da minha tia Carmen, que fazia teatro. A Penélope fez um playback ontem no filme. Foi bonito.

mardi, mai 16, 2006

stuck inside a cloud.

samedi, mai 13, 2006

Um estalo bobo, com o dedo apoiado no lábio inferior

Fazendo meu tema de francês, que consiste no início de um romance (as pessoas aqui levam sua veia artística MUITO a sério, é respeitável), lembrei da música da Cher Antoine, aquela dos Los Hermanos cantada em francês. Não é que aquilo é um tema de francês? A pessoa tem que contar o que vai fazer no fim de semana, escrever o vocativo de uma carta, dizer com quem vai, por que, ser educado. Vê se não é:

CHER ANTOINE (Rodrigo Amarante)

Cher Antoine, Je suis vraiment desolé mais je ne
peux pas partir avec toi.
Du 20 au 24 je dois travailler, j'ai 4 jour de congé.

Je vais à la campagne. Je voyage en train
pour le montagnes, c'est un drôle de chemin!
Je vais à la plage avec des amis. Je vais faire du sport, je
vais fair du ski!"
- Feito pra mim, bom pra você. Deixa mudar e confundir!
- Deixa de lado o que se diz. Tem no mercado, é só pedir!...
- Me faz chorar... e é feito pra rir.


Ok, se as pessoas dentro da seita já tinham interpretado isso desde a época do disco, meus perdões pela obviedade. Pra não dar o tempo por perdido: baixem Mickey 3D, que é francês de verdade e legal demais.

Flashback, flashfoward, flash enfim

Preciso fazer fotos pra ver a vida passar. Preciso guardar essas imagens bonitas.

Preciso de pilhas caras pra máquina e rolo de filme também.

Revista de cinema

A college professor abandons his family and his career in order to champion his mistress, a student radical accused of killing a policeman. 2005. Director: Per Fly, danish kid.

O nome do filme é muito complicado, aqui saiu como Manslaughter, no Imdb consta como Drabet, no Brasil aposto que vai chegar como algo do tipo Virada do Destino, então vale mais a pena indicar a sinopse e o diretor.
O roteiro é intrigante mas as imagens são bonitas demais. Discute engajamento político mas é um filme sobre a perdição do amor. Os atores são bons mas a protagonista é linda. Tu já está embasbacada no final e a música dos créditos é ótima.
É isso. Fica impossível organizar o pensamento pra falar bem desse filme. Vejam, por favor.


Une nuit, le professeur Robert Langdon, éminent spécialiste de l'étude des symboles, est appelé d'urgence au Louvre : le conservateur du musée a été assassiné, mais avant de mourir, il a laissé de mystérieux symboles...

O Da Vinci digiCode começa na quarta-feira aqui. Pra provar pra Lisi que não é uma questão de remar contra a maré, gastarei 2 horas e 32 minutos pra vê-lo. Quando eu estava aqui em julho, a parada de ônibus do Louvre tinha uma folhinha avisando que não ia funcionar em tais e tais dias, pq eles iam filmar. Tirei foto.
Mas não rolou gastar dias em cima de um livro de mistérios da igreja – not my tipe.


Au sein de cette trame sociale, trois générations de femmes survivent au vent, au feu, et même à la mort, grâce à leur bonté, à leur audace et à une vitalité sans limites.

Volta, Penélope, que a gente te abraça. Não vamos comentar a desastrada aventura de bolsinha de Tom Cruise. Volver começa dia 19 e amanhã vou na exposição do Almodóvar entrar no clima. Cores, cores!


Au sortir de l'adolescence, une jeune fille découvre un monde hostile et codifié, un univers frivole où chacun observe et juge l'autre sans aménité. Elle s'évade dans l'ivresse de la fête et les plaisirs des sens pour réinventer un monde à elle.Y a-t-il un prix à payer ?

Uhú. Essa sou eu tiete. Dia 24 é aniversário da Liege, minha irmã de João XXIII, e também é a estréia do Marie-Antoinette, que Sofia C. escreveu pra Kursten D. O trailer tem um ritmo muito moderninho e a cabeleira loira dela me faz pensar em fãs de Babyshambles, mas deixamos pra falar mais quando eu tiver voltado do cinema, leve que nem pena.

Entrevista com Sofia e todo o kit imprensa aqui.

jeudi, mai 04, 2006

afe



- Posso ir morrer ali um pouquinho e já volto?
- Já é quase meia-noite, tá perigoso.
- Por favoooor. Eu já fiz tudo o que tinha que fazer hoje.
- Tá, mas vai só até o início do túnel de luz. O outro dia quando fui te buscar tu já tava quase na imensidão branca.
- Tá bom, prometo.
- Leto!
- Prometido, porra.

mardi, mai 02, 2006

Elefante surdo

Eu ia reclamar só da trilha sonora* do Cabra Cega, filme do Toni Venturi que vi no festival de cinema brasileiro que rola até hoje. Terminada a projeção e o bate-papo com o diretor, digamos que a lista cresceu um pouquinho.
Matutei por um bom tempo sobre a atmosfera de produção de um filme de baixo orçamento, relativizei o que seriam critérios básicos de qualidade mas não achei desculpas. Ao invés de ligar pra uma escola de línguas, passar um e-mail pra alguém que falasse espanhol, colar as falas no messenger ou qualquer outra coisa fazível em meia-hora pra revisar no máximo uma lauda de roteiro, o moço prefere nos brindar com uma personagem que emigrou da Espanha depois da ditadura franquista mas que, se estiver com sede num bar de esquina em São Paulo, vai pedir pro garçom trazer uma cueca-cuela.
Pegou muito mal, e não é questão de deslocamento cultural. Ele inventou mesmo palavras, fez a velha dizer facia (verbo fazer), teimosso, etc, era impressionante. Aí, na hora do bate-papo pós-filme, quando ele decidiu falar em francês, mesmo com a tradutora ao lado, o mar se abriu num clarão e eu entedi um pouco a lógica.
A visão do Toni Ventura sobre línguas estrangeiras é um tanto desconstrutivista e desafiadora. A platéia precisava saber português E francês pra captar o código que ele estava usando lá na frente. No início virava dans le comence, meu virava motre (mon + votre?), um pouco virava um pé. Meu saldo: conteúdo > zero, frases com início falado e final gesticulado > 25%, neologismos > 40%, utilidade da mocinha parada ao lado com microfone na mão > 5%, vergonha e divertimento que eu senti por ele > 50%.
Ainda bem que o filme era quase todo em cima do protagonista, interpretado pelo Leonardo Medeiros, que eu não conhecia e simpatizei bastante.


*Excluindo um par de músicas da época da ditadura que não tinham como dar errado, a Fernanda Porto, responsável pela música, empurrou a marteladas seqüências de piano pra dar clima sentimental em várias cenas, o que ficou péssimo.